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O alcance das medidas econômicas no setor de TI

Postado por José Cláudio de Oliveira, CEO Procenge em 22/05/2020 em Artigos

Com o objetivo de mitigar os efeitos da pandemia do Novo Coronavírus sobre a economia, o Governo Federal criou medidas econômicas para diversos setores intensivos de mão de obra, incluindo o de TI.

Sensibilizados com as grandes dificuldades financeiras de inúmeras empresas brasileiras, neste momento de forte impacto, foram abertas frentes de socorro, mesmo em um panorama já vigente de grande dificuldade fiscal para o estado brasileiro. O destaque foi a linha de crédito de 40 bilhões para financiamento da folha de pagamento das empresas.

Contudo, um problema grave que se observa nesse programa é que o dinheiro não consegue chegar aos seus destinatários. Segundo publicações recentes nos jornais, apenas 3,5% do montante total havia sido de fato concedido. O motivo? Exigências burocráticas inoportunas, dentro do cenário atual, dificultam o acesso das pequenas e médias empresas. De toda forma, esses problemas já são do conhecimento das autoridades, que estão à procura de uma solução.

O foco aqui, no entanto, é outro: os critérios utilizados. Isso porque o crédito foi limitado às empresas com faturamento de até 10 milhões de reais. Entendo que há um erro de raiz nessa limitação, já que, por vários motivos, a classificação de Média Empresa ultrapassa esse valor que foi delimitado por parte de vários agentes financeiros. Lembrando que, o objetivo fundamental do programa é a preservação de empregos. E, para isso, o critério de habilitação mais justo, na minha visão, seria o do percentual da folha de pagamento sobre o total dos gastos.

Aqui, especificamente, começa a entrar o caso das empresas de TI, que têm por característica esse percentual em alto nível. Em empresas de desenvolvimento e manutenção de software, esse percentual chega a mais de 60%.

Temos, por exemplo, uma indústria de pequeno porte enquadrada no limite da medida, cujas despesas com pessoal, face ao conjunto das demais despesas (tais como matéria-prima, energia, combustíveis, veículos, etc.), seja muito menos relevante. Caso se trate de uma empresa mais automatizada, então, a diferença em relação aos negócios de TI torna-se muito mais significativa.

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A esta realidade, soma-se ainda outro fator: as famigeradas garantias. Já se diz muito comumente, no ambiente das empresas de TI, que “cabeça de boi serve como garantia, cabeça de gente, não”. Apesar da frase impactante, na prática, isso quer dizer que conhecimento acumulado, experiência e direcionamento ao futuro, por exemplo, não valem nada na avaliação dos bancos.

Um empresário do setor pecuário, mesmo operando dentro de velhos padrões, terá muito mais oportunidades de crédito do que uma moderna empresa de serviços de TI.

Dessa forma, se esses aspectos não forem revistos com grande brevidade, esse programa pode ser um fracasso em um segmento altamente empregador como o de Tecnologia, que possui um forte indicador de número de empregos preservados, concordando com o objetivo inicial do crédito. Isso acontece porque no setor de TI a preservação de empregos é estratégica para as empresas, pois é justamente no conhecimento preservado e desenvolvido que reside a sua grande riqueza. A sustentação das empresas está nas pessoas.

Por fim, entendo que, se este setor não conseguir preservar os seus empregos, face às dificuldades conjunturais, cada vez mais difíceis, as perdas serão incomensuráveis para as empresas e para o País. Vamos andar muito para trás, não só no número, mas também na qualidade dos empregos, característica importante para um mercado mais justo.

Postado por José Cláudio de Oliveira, CEO Procenge em 22/05/2020 em Artigos