Encontre aqui seu Software

Busca simples


Busca Avançada

Entrevista exclusiva com Pedro Paulo Silva, CEO da Systêxtil

Postado por Redação em 05/12/2019 em Entrevistas

O executivo, que fundou a empresa em 1991, nos contou sobre os desafios do setor têxtil no Brasil 

Pedro Paulo Silva, fundador da Systêxtil

A Systêxtil, é uma das empresas referência no mercado de sistemas de gestão tipo ERP – Enterprise Resource Planning, desenvolvendo soluções direcionadas à cadeia produtiva e comercial do setor têxtil, auxiliando no gerenciamento desde a compra de matéria-prima até o momento de entrega ao consumidor final.

A empresa está sob o comando, do sócio fundador Pedro Paulo Silva, que inaugurou a companhia em 1991. Pedro possui formação em Administração de Empresas, com MBA em gestão da indústria têxtil e extensão do MBA realizado na Espanha.

Sua carreira teve início na Tubos e Conexões Tigre, em Joinville. Depois, atuou na área de sistemas do Unibanco (hoje Itaú), em São Paulo, seguido da Embraco, retornando a Joinville e posteriormente na Marisol, em Jaraguá do Sul. Nesta última, Pedro Paulo foi gerente de TI e desenvolveu o software de gestão (ERP), o qual inspirou a fundação da Systêxtil: uma empresa de software de gestão para as indústrias de confecção e têxtil. É com ele, que o Portal ERP realizou a entrevista do mês de dezembro.

1)Conte-nos um pouco do histórico da Systêxtil

A Systêxtil tem um histórico de constantes mudanças para se ajustar a diferentes demandas internas e externas. Suas convicções essenciais, porém, não mudaram.

Uma das nossas convicções "pétreas”, é que sem confiança, nada se constrói ou se mantém. É assim nas relações com nossos colaboradores e aliados, como com nossos clientes.

Aliás, como atuamos num nicho específico, que é a indústria da moda, onde há uma concorrência por vezes forte, a confiança assume importância especial, pois estamos "dentro" de várias empresas concorrentes, com segredos e particularidades que devem ser preservados com toda a segurança.

Outra convicção mantida ao longo dos 30 anos de história da Systêxtil é a de preservar nossa especialidade de atuar exclusivamente na indústria de confecção e têxtil. Assim, nos mantemos sempre "especialistas" nesse segmento e por isso, fortemente competitivo, podendo assim, continuar crescendo e investindo sempre em melhorar nossos produtos e serviços.

2)Quais são os segmentos que a companhia atende atualmente?

Atuamos especificamente no segmento da indústria da moda. Falando assim, soa bastante restrita a atuação. Porém, a indústria têxtil e de confecção abrange uma cadeia muito ampla. Temos, por exemplo, clientes que fabricam paragliders, bolsas, tapetes, cortinas, uniformes, capas para sofás, etiquetas, etc... Veja que, nessa cadeia, estamos falando de um mundo que abrange a moda como a conhecemos, a indústria de tecidos.

Estamos falando também de não tecidos, como lonas para pneus, tecidos especiais com aplicações muito diversas, indústria química para beneficiar os tecidos e peças confeccionadas, indústria de fios naturais e sintéticos, toda a indústria de máquinas para tear, tratar fios e tecidos, para confeccionar.

Enfim, apesar de sermos especialistas, podemos ver que a área de atuação é muito ampla. O diferencial do Systêxtil nesse caso é entender perfeitamente toda a cadeia, o que ajuda muito nossos clientes, ainda que eles tenham uma atuação apenas na confecção, por exemplo. Temos vários clientes, inclusive que atuam desde a fiação até a ponta final no varejo, as lojas, e o Systêxtil gerencia de forma integrada e otimizada todas essas áreas.

Systêxtil fachada da empresa

3) Quando falamos sobre o mercado de software e gestão no Brasil, não podemos negar que a cada dia as empresas vêm entendendo a importância de se adotar um sistema que converse com as necessidades pontuais da empresa. Porém, apesar desse crescimento, ainda existem alguns setores, que por conta da falta de informação, ainda desconhecem os benefícios dessas soluções. Como tem sido a postura da Systêxtil, com relação a este cenário?

Quando falamos da importância de softwares de gestão, infelizmente algumas empresas - já não muitas, é verdade - acabam percebendo a importância de uma gestão baseada em software construídos justamente para ajudar na gestão eficaz, só que um pouco tarde, quando poderiam aproveitar grandes oportunidades e forças da empresa, adotando métricas e boas práticas de planejamento e controle.

As que perceberam isso antes já estão numa fase muito mais avançada, convivendo com inovação em todas as áreas de forma natural, não só na gestão mas também na criação de produtos, interação com clientes, fornecedores, inclusive já adentrando na indústria 4.0, que certamente trará um novo paradigma. A Systêxtil tem se esforçado em comunicar, através de vários meios digitais, justamente os enormes ganhos que as empresas têm em adotar no seu dia a dia o uso não só do software de gestão (ERP), mas de um mundo de inovação tecnológica e digital que permeie todos os usuários internos ou externos. 

4)Quais são os principais desafios para quem quer fornecer tecnologia a esta indústria no cenário atual?

Acredito que os desafios são sempre os mesmos ou parecidos, só que talvez nesse momento, maiores e principalmente mais urgentes. É nítido o gap tecnológico nosso, do Brasil e das nações mais desenvolvidas. Então o desafio é o de diminuir essa gap. Isso não é fácil, pois os outros países também se esforçam para se diferenciar cada vez mais. Uma evidência dessa dificuldade é o grande número de talentos de T.I. que estão sendo levados para trabalharem em empresas lá fora e o grande buraco negro da nossa mão de obra de T.I.

Softwares são, essencialmente, interações entre pessoas e são essas que determinam a qualidade e velocidade da evolução. Então, acredito que o desafio maior seja mesmo desenvolver e manter talentos nas diversas habilidades de inovação. Muito se tem falado, mas muito pouco feito.

5) Como você avalia o atual mercado brasileiro de softwares de gestão, a partir do ponto de vista da aderência da ferramenta. Ou seja, com um mercado em constante mudança e sempre buscando por mais inovação, qual é a capacidade que esses fornecedores têm de oferecer uma solução que vá ao encontro das expectativas desse usuário? Que postura esse gestor deve tomar na hora de atender a essas demandas?

Penso que o cenário que se apresenta hoje é de um empoderamento - para citar uma palavra popular - dos assim conhecidos usuários finais. São eles e não mais tanto os gestores - ou chefes, como falávamos antes - que devem ser o objetivo final dos nossos softwares de gestão.

Os softwares de gestão empresarial, em geral foram construídos para controlar e as pessoas hoje são auto gerenciáveis. Então, muito do que existe hoje nos ERP´s, não atende mais a quem de fato cria e sabe o que melhor deve ser feito. E os softwares devem, agora, dar suporte a esses usuários para que eles possam atuar de forma mais produtiva e principalmente, mais desafiadora.

Em outras palavras, muitos ERP´s foram construídos de cima para baixo. Agora temos que virar de cabeça para baixo isso. É um desafio que só pode ser vencido muito mais com os usuários finais e muito menos com os assim chamados codificadores. Os usuários devem ser instrumentalizados e orientados para eles mesmos construírem suas soluções, muito mais intuitivas e de uma usabilidade extrema.

6)Como você avalia o futuro do software de gestão no Brasil?

Olhando para fora do Brasil, vejo que aqui não há uma concentração grande. Lá fora, o mercado de softwares de gestão está mais concentrado em poucos players.

Aqui temos, além dos players globais, muitas empresas fortes e importantes, com fatias significativas do mercado. Isso vejo como positivo, pois nos possibilita uma atuação mais protagonista e menos coadjuvante do desenvolvimento de software. Que acaba resultando em maiores e melhores oportunidades no futuro.

Entretanto, como já sabido, de novo o assunto volta a ser educação. Ou seja, precisamos dar prioridade para a criação e fortalecimento de oportunidades de desenvolvimento das potencialidades das pessoas a atuarem nesse mercado que estará cada vez mais presente em cada vez mais áreas e ações para a diferenciação e para a qualidade dos nossos produtos e serviços, a nível global.

 

Postado por Redação em 05/12/2019 em Entrevistas