John Carey, vice-presidente sênior de Canais Globais do SAS
Quase 70% das pequenas e médias empresas (PMEs) em todo o mundo ainda se encontram nos estágios experimental ou oportunista de maturidade em inteligência artificial (IA), apesar do crescimento dos investimentos e da adoção de ferramentas de IA. A constatação integra um novo relatório global encomendado pelo SAS, empresa de dados e IA, em parceria com o IDC, e revela um descompasso significativo entre a ambição das empresas e sua capacidade de escalar a IA com governança e retorno mensurável.
Intitulado “IA para PMEs: reduzindo a lacuna entre prontidão e realidade”, o estudo se baseia em uma pesquisa global com mais de 1.600 líderes de PMEs em 28 países. Além de evidenciar o desalinhamento entre o interesse crescente em IA e a capacidade organizacional de implementá-la, o relatório também oferece um roteiro prático para apoiar essas empresas a avançarem da experimentação para a geração de impacto real nos negócios.
Embora o cenário tecnológico atual esteja repleto de histórias sobre o potencial transformador da IA, muitas PMEs ainda não contam com a base de dados, a estratégia, as competências e a governança necessárias para escalar o uso da tecnologia de forma eficaz em seus negócios e, assim, gerar resultados tangíveis.
“Para extrair valor real de sua estratégia de IA, as PMEs precisam sair de pilotos desconectados e avançar para um alinhamento efetivo entre dados, pessoas e recursos”, afirma Daniel-Zoe Jimenez, vice-presidente de Pesquisa do IDC. “Experimentar a tecnologia é uma coisa. Implementá-la de forma estratégica e sustentável é outra completamente diferente.”
Embora conte com respostas de pequenas e médias empresas de diferentes setores, o relatório traz uma análise mais aprofundada de cinco segmentos: bancos, seguros, governo, saúde e ciências da vida. O estudo evidencia obstáculos específicos enfrentados por cada setor, de dados fragmentados e execução inconsistente a desafios regulatórios e baixa adoção em toda a organização, que dificultam a escalabilidade da IA.
Principais achados por setor
Bancos: estão à frente em estratégia e governança de IA, mas a maioria ainda enfrenta dificuldades para transformar pilotos em impacto consistente em toda a organização;
Seguros: já usam IA ativamente para resolver problemas reais de negócio, porém dados fragmentados e execução desigual impedem muitas empresas de escalar iniciativas bem-sucedidas;
Setor Público: apresenta forte planejamento e monitoramento em IA, mas sistemas legados e silos de dados ainda atrasam a execução;
Saúde: está experimentando IA para aumentar a eficiência, porém a complexidade dos dados, a regulação e a falta de competências mantêm a adoção em estágio inicial;
Ciências da Vida: apresentam alto potencial de uso de IA, mas ambientes de dados complexos e exigências regulatórias restringem a adoção em larga escala além de equipes especializadas.
A lacuna entre prontidão e realidade
A maioria das PMEs ainda está nos estágios que o relatório classifica como experimental ou oportunista de adoção da IA. Essas empresas estão usando a tecnologia em iniciativas desconectadas dentro de suas operações, mas ainda não conseguiram integrar esses esforços em uma estratégia unificada.
Essa é a lacuna entre prontidão e realidade: um cenário em que a ambição em relação à IA, por si só, não é suficiente para transformar intenção em resultados.
Os destaques do relatório mostram que, apesar dos líderes das PMEs estarem cada vez mais motivados a usar IA, eles enfrentam alguns desafios:
dados e ferramentas fragmentados;
iniciativas de IA isoladas;
limitações de competências e baixo preparo organizacional;
governança insuficiente e ausência de métricas claras de ROI.
“As PMEs não precisam de mais hype, mas de resultados que se traduzam em retorno real sobre seus investimentos em IA”, conclui John Carey, vice-presidente sênior de Canais Globais do SAS.






