Custos logísticos elevados, exigências regulatórias e complexidade tributária seguem entre os principais desafios enfrentados por empresas brasileiras no comércio exterior, especialmente nas operações de importação. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a corrente de comércio brasileira segue em patamar elevado em 2025, mantendo as importações brasileiras em patamar superior a US$ 240 bilhões ao ano, refletindo a intensidade das operações internacionais e a pressão por maior controle regulatório e financeiro.
Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo, holding brasileira de comércio exterior e soluções financeiras, afirma que a falta de integração entre compliance e gestão financeira amplia o risco operacional das empresas que atuam com importação. “Erro documental ou tributário afeta diretamente o caixa e a margem. O Vision foi criado para evitar que o problema aconteça”, diz.
No Brasil operações de importação são registradas no Portal Siscomex, sistema que centraliza informações aduaneiras e permite o cruzamento automatizado de dados pela Receita Federal. Esse ambiente digital ampliou a capacidade de fiscalização e elevou o custo de inconsistências documentais nas operações de comércio exterior.
Foi diante desse cenário que a legaltech especializada em comércio exterior foi apresentada. A plataforma foi desenvolvida inicialmente para operações de importação e centraliza dados oficiais autorizados pelo cliente conectando informações fiscais cambiais e aduaneiras em uma única estrutura de inteligência financeira e regulatória.
Muitas organizações ainda administram operações internacionais com dados espalhados entre despachantes aduaneiros contadores bancos sistemas internos e planilhas operacionais. Essa fragmentação dificulta a leitura completa da operação aumenta o risco regulatório e reduz a previsibilidade financeira.
Segundo Murillo, empresas lidam hoje com um ambiente regulatório sofisticado mas ainda administram suas informações de forma fragmentada. “Quando a empresa passa a enxergar a operação de forma integrada consegue identificar risco antes, reduzir ineficiências e tomar decisões financeiras com mais segurança”, afirma.
A base tecnológica da plataforma vem de um sistema utilizado internamente pela empresa por cerca de duas décadas para gestão de processos de importação e acompanhamento de operações internacionais. Com a evolução da companhia e a ampliação de sua atuação em câmbio e estruturação financeira essa base foi modernizada e deu origem a uma arquitetura mais robusta capaz de integrar dados fiscais cambiais e regulatórios.
Hoje o Vision atua como uma camada estratégica acima das operações. A plataforma consolida dados oficiais mediante autorização do cliente permite monitoramento de riscos regulatórios organiza informações fiscais e operacionais e oferece uma visão estruturada das operações de importação.
Para o especialista empresas interessadas em adotar soluções desse tipo devem observar três fatores principais experiência prática em comércio exterior integração com dados financeiros e operacionais e capacidade de atualização constante diante de mudanças regulatórias.
“O comércio internacional exige leitura simultânea de risco regulatório financeiro e operacional. Quando a empresa transforma obrigação regulatória em informação estruturada ela ganha previsibilidade de caixa e protege sua margem”, afirma.
O desenvolvimento do Vision envolveu investimento aproximado de R$ 300 mil e contou com uma equipe multidisciplinar formada por especialistas em tecnologia produto direito e regulação do comércio exterior além de profissionais das áreas fiscal tributária e arquitetura de dados.
Murillo afirma que a tendência é de intensificação do cruzamento automatizado de informações pelas autoridades fiscais o que deve aumentar a pressão sobre empresas que ainda operam com controles dispersos. “Quem continua tratando jurídico câmbio e operação como áreas separadas tende a reagir sempre depois do problema. A vantagem competitiva está em antecipar”, conclui.




