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No futebol e nos negócios, o problema já não é ter dados, mas saber decidir a partir deles

Eliézer Mota
11 de jun. de 2026
T|Fonte:18px
3 min de leitura
No futebol e nos negócios, o problema já não é ter dados, mas saber decidir a partir deles

A nova bola da Copa do Mundo de 2026 vai carregar um sensor capaz de atualizar dados 500 vezes por segundo para ajudar o VAR a tomar decisões mais rápidas. Ou seja, os dados já não servem apenas para explicar o que aconteceu depois do jogo, mas para orientar decisões em tempo real, dentro de campo. A própria FIFA também anunciou novas ferramentas de inteligência artificial para apoiar as seleções na análise de partidas e jogadores, reunindo informações em texto, vídeo, gráficos e modelos tridimensionais.
 

Na prática, isso mostra que o dado deixou de ocupar apenas o espaço da estatística e passou a entrar diretamente na estratégia. Ajudando a ler padrões do adversário, ajustar a preparação, interpretar situações de jogo e reduzir diferenças entre equipes com estruturas técnicas muito distintas. O ponto central, porém, não está no volume de informação disponível, mas na capacidade de transformar essa informação em leitura útil, no momento certo. E eu enxergo um paralelo muito claro com o mundo dos negócios: ter acesso à informação não é mais um diferencial, saber interpretá-la com rapidez, dar contexto a ela e transformá-la em decisão no momento certo, enquanto o “jogo” ainda está acontecendo, é o que pode mudar o placar.
 

Em uma partida de futebol, isso pode significar perceber mais cedo uma linha de impedimento, um desgaste físico que altera a intensidade do time ou um padrão tático que começa a abrir espaço ao adversário. Em uma empresa, é possível identificar um risco operacional antes que ele cresça, uma mudança no comportamento do cliente ou uma perda de eficiência que ainda não apareceu com força nos resultados. O problema, portanto, já não é ter dado. É saber decidir com ele, transformar a tecnologia em vantagem competitiva.
 

Durante muito tempo, bastava alguém falar em dados para parecer moderno. Hoje, isso já não se sustenta. O que realmente diferencia uma organização não é a quantidade de dashboards que ela tem, nem o volume de informação que consegue acumular. É a capacidade de traduzir dados em prioridade, contexto e ação. Sem isso, a informação vira acervo. E acervo, por si só, não muda resultado.
 

Atualmente, a maior parte das empresas já convive com uma abundância de dados operacionais, comerciais, financeiros e comportamentais. Mesmo assim, muitas ainda demoram para agir porque não conseguem transformar esse volume em decisão clara. Em alguns casos, o excesso de informação até atrapalha. Há dado demais, painel demais, alerta demais e prioridade de menos.


É por isso que eu vejo com tanto interesse esse avanço da tecnologia no futebol. Ele torna visível, de forma muito concreta, uma transformação que já está em curso em vários setores. No fim, a lição é simples: nem no futebol, nem nos negócios, vence quem acumula mais informação. Vence quem consegue ler melhor o contexto, reduzir incerteza e agir com mais precisão.

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Eliézer Mota
Eliézer MotaColunista

CEO · Genux Consult

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