Thiago Oliveira, CEO da Saygo
A inteligência artificial no comércio exterior está deixando de ser uma inovação restrita a grandes corporações para se tornar uma ferramenta de competitividade para empresas de diferentes portes.
Em um período marcado por tensões comerciais, mudanças regulatórias, volatilidade cambial e desafios logísticos globais, cresce a adoção de tecnologias capazes de automatizar processos, reduzir erros e aumentar a previsibilidade das operações internacionais. Relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC) aponta que a inteligência artificial tem potencial para transformar profundamente o comércio global ao ampliar a produtividade, reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência das cadeias de suprimentos.
Para Thiago Oliveira, CEO da Saygo, holding especializada em comércio exterior, câmbio e tecnologia para operações internacionais, a digitalização deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade estratégica. “O futuro do comércio exterior será definido por inteligência artificial, dados e automação. As empresas que continuarem dependentes de controles manuais e processos fragmentados terão mais dificuldade para competir em um ambiente que exige rapidez, rastreabilidade e capacidade de adaptação”, afirma.
Dados passam a orientar decisões comerciais
A transformação digital tem alterado a forma como empresas analisam mercados, escolhem fornecedores e gerenciam operações internacionais. Ferramentas baseadas em inteligência artificial já permitem consolidar informações logísticas, financeiras e regulatórias em tempo real, oferecendo uma visão mais ampla dos riscos e oportunidades envolvidos em cada negociação.
Segundo a OMC, o uso crescente de inteligência artificial tende a reduzir barreiras operacionais e facilitar a participação de empresas nas cadeias globais de comércio, especialmente por meio da automação de tarefas complexas e da melhoria na qualidade das decisões empresariais. “Hoje é possível tomar decisões com base em informações atualizadas sobre custos, rotas logísticas, comportamento de mercados e exposição cambial. Isso aumenta a capacidade de resposta das empresas e reduz a dependência de decisões tomadas apenas por experiência ou percepção”, explica o profissional.
Automação reduz erros e aumenta previsibilidade
Uma das aplicações mais relevantes da tecnologia está na automação de processos tradicionalmente executados de forma manual. Em operações internacionais, falhas documentais, atrasos em aprovações regulatórias e erros de classificação fiscal podem gerar prejuízos significativos.
De acordo com o executivo, a automação ajuda a reduzir retrabalho e melhora a conformidade das operações. “O custo de um erro no comércio exterior costuma ser elevado. Quando processos são automatizados, a empresa ganha controle, reduz riscos operacionais e aumenta a previsibilidade dos resultados”, afirma.
A tecnologia também vem sendo utilizada para monitorar embarques, identificar possíveis gargalos logísticos e antecipar problemas que poderiam comprometer prazos de entrega. “Em vez de reagir quando a mercadoria já está atrasada, as empresas passam a trabalhar com previsões e alertas. Isso permite agir antes que o problema afete clientes, contratos ou fluxo de caixa”, diz.
Profissionais precisarão desenvolver novas competências
Atividades repetitivas e operacionais tendem a ser cada vez mais automatizadas, enquanto cresce a demanda por especialistas capazes de interpretar informações, analisar indicadores e construir estratégias de expansão internacional. “O profissional de comércio exterior continuará precisando de conhecimento técnico, mas sua principal função será transformar dados em decisões. A capacidade analítica será tão importante quanto o domínio dos processos operacionais”, avalia o empreendedor.
Como será o comércio exterior em 2030
Além dos avanços já observados, a expectativa é de que os próximos anos tragam uma integração ainda maior entre inteligência artificial, logística internacional, gestão cambial e compliance regulatório.
Relatório divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) mostra que a digitalização contínua entre os principais fatores que impulsionam a evolução do comércio global, especialmente em um contexto de reorganização das cadeias produtivas e aumento da complexidade geopolítica.
Para Oliveira, as empresas que iniciarem essa transformação agora terão vantagem competitiva nos próximos anos. “O comércio exterior de 2030 será mais conectado, automatizado e orientado por dados. Quem conseguir transformar informação em inteligência de negócio terá mais capacidade para crescer, reduzir riscos e aproveitar oportunidades em diferentes mercados”, conclui.






