À medida que a IA evolui de ferramenta de apoio para agente capaz de executar tarefas de forma autônoma, cresce a necessidade de fortalecer a governança, a supervisão humana e os controles de segurança para reduzir a exposição das empresas a riscos cibernéticos.
As conclusões fazem parte do Relatório de Segurança de IA 2026, da Check Point Research (CPR), divisão de inteligência em ameaças da empresa. O estudo mostra que a IA deixou de apenas acelerar atividades e passou a desempenhar um papel ativo tanto nas operações das empresas quanto nos ataques cibernéticos. Em um dos casos analisados pelos pesquisadores, um único desenvolvedor utilizou uma ferramenta comercial de IA para criar cerca de 88 mil linhas de código de um malware de comando e controle funcional em menos de uma semana, um volume que, tradicionalmente, exigiria meses de trabalho de uma equipe de desenvolvimento.
O relatório também destaca que as mesmas capacidades que tornam agentes de IA mais produtivos, como interpretar documentos, navegar na internet e interagir com diferentes aplicações, ampliam a superfície de ataque das organizações. Instruções maliciosas ocultas em páginas web, arquivos de configuração comprometidos e vulnerabilidades em servidores utilizados por agentes de IA estão entre os riscos identificados pelos pesquisadores.
Além da evolução das ameaças, a rápida adoção da tecnologia pelas empresas amplia os desafios de segurança. Segundo apontado no relatório, as organizações utilizam, em média, dez aplicações de inteligência artificial por mês. O levantamento também aponta que a proporção de interações de alto risco com ferramentas de IA generativa, envolvendo o compartilhamento de informações corporativas, pessoais ou reguladas, dobrou no último ano, passando de 2% para 4% de todos os prompts analisados. Entre 87% e 93% das organizações registraram pelo menos uma interação considerada de alto risco em todos os meses avaliados.
"O uso da IA nas empresas está avançando em um ritmo muito superior ao da implementação de políticas de governança e segurança. A discussão sobre inteligência artificial precisa evoluir da adoção para a responsabilidade, ou seja, as organizações precisam saber quais sistemas estão sendo utilizados, quais dados estão sendo processados e quais decisões estão sendo tomadas por essas tecnologias. Quanto mais autonomia a IA ganha, maior deve ser a maturidade das empresas para monitorar seu funcionamento, proteger os dados utilizados por esses sistemas e manter supervisão humana sobre processos críticos", afirma Fernando de Falchi, gerente de Engenharia de Segurança da Check Point Software Brasil.
Diante desse cenário, a Check Point recomenda que as empresas ampliem suas estratégias de cibersegurança para incluir a proteção dos sistemas de IA, que passam a representar um novo ambiente operacional sujeito a riscos próprios e que exige monitoramento contínuo e controles específicos. Isso inclui tratar agentes de IA como potenciais alvos de ataques, estabelecer políticas claras para o uso corporativo da tecnologia, proteger informações compartilhadas com plataformas de IA e adotar soluções capazes de responder a ameaças na mesma velocidade com que elas evoluem.
"Celebrar os avanços da IA é reconhecer seu enorme potencial para impulsionar inovação e produtividade. Mas aproveitar esses benefícios de forma sustentável exige que segurança, governança e transparência façam parte da estratégia desde o início. A confiança será um dos principais fatores para o sucesso da IA nas empresas", conclui Falchi.






