Javier Navarro, Global SAP Leader da Seidor
A consultoria tecnológica Seidor lança o relatório SEIDOR Report: a modernização do ERP SAP 2026. O estudo revela que 94% das empresas usuárias de SAP preveem modernizar seu ERP nos próximos anos. No entanto, apenas 15% aspiram a uma transformação estratégica capaz de redesenhar processos com base em dados e inteligência artificial.
O relatório, elaborado a partir de entrevistas com 360 CIOs de companhias com mais de 100 milhões de euros de faturamento em nove países da Europa e das Américas, aponta para uma lacuna relevante entre ambição e execução: muitas empresas modernizam SAP buscando inovação, analytics, dados e IA, mas a maioria dos projetos ainda se concentra em migração tecnológica, continuidade operacional e mudança de plataforma.
Para a Seidor, essa diferença marcará o retorno real da modernização. Migrar será necessário para quase todas as companhias, mas não suficiente para competir com um ERP mais simples, conectado e inteligente. A vantagem estará nas organizações que aproveitarem a atual onda de modernização para reduzir dívida técnica, simplificar processos e preparar o core para novas capacidades de automação, dados e IA.
Javier Navarro, Global SAP Leader da Seidor afirmou que “a maioria das empresas usuárias de SAP já tem claro que deve modernizar seu ERP. A diferença estará em se essa modernização ficará em uma evolução tecnológica ou se será aproveitada para simplificar o sistema, organizar as informações e redesenhar processos com IA. O risco não é apenas não migrar; o risco é migrar e continuar operando da mesma forma.”
Três níveis de modernização
O estudo estrutura a modernização de SAP em três níveis cumulativos. O primeiro é a migração ou evolução técnica, orientada a atualizar a plataforma, assegurar a continuidade, avançar para modelos cloud e responder ao calendário de manutenção do ecossistema SAP. É o nível mais disseminado e explica porque a modernização do ERP será praticamente universal.
O segundo nível é a simplificação, que consiste em reduzir os desenvolvimentos sob medida acumulados, devolver processos ao padrão e avançar para um modelo de clean core, no qual as extensões são gerenciadas fora do núcleo do ERP. Esse nível é fundamental para recuperar capacidade evolutiva e evitar que cada atualização se transforme em um projeto complexo.
O terceiro nível é a reinvenção, que propõe redesenhar processos com base em dados limpos e inteligência artificial. Dessa forma, o ERP deixe de atuar apenas como sistema de registro e se converta em uma plataforma capaz de apoiar decisões, antecipar cenários e ativar novas capacidades de negócio.
Segundo o relatório, 94% das companhias se situam no primeiro nível, vinculado à migração ou evolução técnica. No entanto, apenas 23% incorporam uma simplificação efetiva e somente 15% chegam ao nível de reinvenção. Para a Seidor, essa diferença mostra que muitas empresas estão iniciando a modernização, mas ainda não decidiram até onde querem realmente chegar.
A IA aumenta a ambição, mas exige preparar antes o core
A inteligência artificial aparece como um dos principais motores da modernização SAP, 46% das empresas citam analytics, dados e IA entre suas motivações para evoluir o ERP. No entanto, o estudo mostra que 72% ainda concebem a IA como uma camada de automação ou produtividade sobre os processos atuais.
Para a Seidor, essa abordagem pode gerar eficiência, mas dificilmente transformará o modelo operacional se não vier acompanhada de simplificação, qualidade dos dados e redesenho de processos. A companhia alerta que muitas organizações poderiam investir em capacidades de IA sem ter resolvido antes os condicionantes que limitam seu impacto real: dívida técnica (custos futuros associados à dependência de atalhos ou decisões abaixo do ideal) excesso de personalizações, processos pouco padronizados e dados insuficientemente preparados.
“O comitê executivo pode aprovar uma modernização pensando em inovação, dados e inteligência artificial e receber, dois anos depois, um sistema tecnicamente atualizado, mas com os mesmos processos de antes. Para evitar essa lacuna, a decisão-chave não é apenas qual plataforma escolher, mas qual nível de transformação se quer alcançar", acrescentou Navarro.
A dívida técnica, a grande oportunidade oculta
O relatório identifica a complexidade acumulada como um dos principais freios para avançar em direção a uma modernização de maior valor. O estudo mostra que 71% das empresas reconhecem que os desenvolvimentos sob medida e a dívida técnica dificultam a evolução de SAP em grau moderado ou intenso, e nove em cada dez aceitariam processos mais padronizados em troca de um sistema mais evolutivo.
Para a Seidor, esse dado confirma que a simplificação será uma das grandes conversas dos próximos anos. Não se trata apenas de migrar para uma nova versão ou para um novo modelo de implantação, mas de decidir quais processos devem ser mantidos, quais devem voltar ao padrão e quais capacidades devem ser construídas ao redor do core para ganhar flexibilidade.
Essa decisão não é puramente técnica. Afeta processos, áreas de negócio, governança dos dados, arquitetura e modelo operacional. Por isso, segundo a Seidor, os projetos de modernização SAP deverão envolver cada vez mais perfis de negócio, finanças, operações, tecnologia e direção geral.
Duas janelas de decisão: 2026-2028 e 2028-2032
O estudo identifica duas grandes janelas temporais na modernização SAP. A primeira, entre 2026 e 2028, será dominada por projetos de migração e evolução técnica, em grande parte condicionados pelo calendário de manutenção do SAP ECC e pela necessidade de assegurar continuidade tecnológica.
A segunda, entre 2028 e 2032, estará mais vinculada à simplificação avançada, à reinvenção de processos e à incorporação mais profunda da inteligência artificial na gestão empresarial. Para a Seidor, as companhias que aproveitarem a primeira janela para simplificar seu core e organizar seus dados chegarão à segunda com maior capacidade real de transformação.
“Há empresas que utilizarão essa primeira etapa para resolver a continuidade tecnológica. Outras, além disso, a aproveitarão para preparar seu ERP para a próxima década. Essa é a diferença entre uma migração necessária e uma modernização estratégica”, destacou Navarro.
Do ERP como sistema ao ERP como ecossistema
O relatório também reflete uma mudança na forma de tomar decisões sobre o ERP. Em uma transformação profunda, as empresas já não avaliam o sistema como um bloco único, mas como uma arquitetura por camadas: core, cloud, dados, inteligência artificial, integração e processos específicos.
Nesse contexto, SAP mantém uma posição central como sistema de registro e plataforma transacional, mas a decisão estratégica passa a ser como maximizar o valor do core e como combiná-lo com outras capacidades do ecossistema. Para a Seidor, definir a arquitetura-alvo será cada vez mais relevante para decidir o que deve permanecer em SAP, o que deve ser simplificado e quais funcionalidades podem ser complementadas a partir de outras camadas tecnológicas.
A pergunta, segundo a Seidor, deixa de ser apenas “com qual ERP eu sigo” e passa a ser “como transformo meu core SAP em uma plataforma mais simples, conectada e inteligente”.
O papel do parceiro tecnológico
Nesse cenário, também muda o papel do parceiro tecnológico. A Seidor considera que as empresas precisarão de acompanhamento não apenas para executar migrações, mas para decidir o nível de ambição, priorizar processos, reduzir dívida técnica, preparar dados e construir roadmaps realistas rumo a modelos de gestão mais automatizados e inteligentes.
A companhia enfrenta esse contexto a partir de uma posição reforçada. Em 2026, alcançou o status de SAP Global Platinum Reseller Partner, o nível mais alto do programa de partners da SAP em sua modalidade de revenda, reservado a apenas onze companhias em todo o mundo, e com uma liderança reconhecida no midmarket.
“Já não se trata apenas de executar uma migração, mas de ajudar cada empresa a decidir até onde quer chegar e com qual roadmap. A modernização de SAP não começa migrando; começa decidindo se o projeto ficará em continuidade tecnológica, incorporará simplificação ou aspirará a uma reinvenção real do modelo operacional”, concluiu Navarro.






