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Entrevista com Ernesto Haberkorn, Co-fundador TOTVS e CEO TI Educacional

Postado por

Redação

em 07/10/2013 em Entrevistas

Nesta seção será apresentado a entrevista exclusiva com Ernesto Haberkorn Fale-nos um pouco sobre a história da TI Educacional. A TI Educacional...

size 590 ernesto-haberkorn-totvsNesta seção será apresentado a entrevista exclusiva com Ernesto Haberkorn

Fale-nos um pouco sobre a história da TI Educacional.

A TI Educacional nasceu logo após o IPO da TOTVS. Como fui para o Conselho e na ocasião era responsável pelo Projeto TOTVS Dá Educação, criamos essa empresa para que ela fosse a mantenedora desse Projeto de Educação, projeto esse que requer mais recursos do que sua própria receita. O Projeto existe até hoje, propagando o conhecimento de ERP em Faculdades, Instituições de Ensino e Empresas através de cursos, palestras e edição de livros.

Quais os mercados atendidos pela empresa hoje?

A TI Educacional cresceu e em 2009 lançamos um ERP próprio denominado ERPFlex. Inicialmente esse produto tinha como objetivo ser uma forma de o aluno dos nossos cursos poderem treinar com um ERP mais simples, fácil de usar e que, principalmente, rodasse na web, facilitando assim trabalho do Professor, pois este poderia acessar o que o aluno estaria fazendo sem ter que instalar nenhum software nos equipamentos das Instituições de Ensino.

O ERPFlex acabou crescendo, tornou-se um software completo e então resolvemos oferece-lo ao mercado. Hoje são mais de 500 empresas, de todos os segmentos e tamanho, que dele se utilizam.

A TI Educacional oferece cursos de Tecnologia, livros e o ERPFlex. Tem também uma parceria com o Circuito NETAS, um novo conceito em Treinamento Corporativo, que mescla os cursos com atividades ao ar livre e dinâmicas comportamentais, oferecendo assim uma formação completa aos alunos. Esse treinamento pode ser feito no SPAventura, espaço ecológico em Ibiúna, onde os alunos ficam hospedados.

A TI Educacional também é um parceiro da TOTVS para treinamento e certificação, ministrando cursos focados em seus sistemas visando qualificar o mercado de trabalho.

Em que consiste a plataforma ERPFlex?

O ERPFlex utiliza a mais moderna tecnologia disponível hoje no mercado: no cliente, HTML com o framework Kendo UI, no servidor PHP e Banco de Dados MySQL. Hospeda-se no DataCenter da Locaweb. Não tem limite de usuários ou tamanho de arquivos pois todo o processamento é cloud computing. Com isso seu custo também é bastante reduzido. Ainda temos algumas telas desenvolvidas em Flex, linguagem da Adobe, que foi a solução que utilizamos inicialmente para o tratamento da camada cliente.

A TI Educacional é reconhecidamente uma empresa com grande expertise em treinamentos corporativos que tem como foco fazer com que o usuário consiga utilizar da melhor maneira possivel as potencialidades de uma ferramenta ERP. Como este aprendizado tem evoluido ao longo dos anos no Brasil?

Nosso principal objetivo é que o MEC ? Ministério de Educação ? obrigue as Faculdades de Administração, Sistemas de Informação, Ciências Contábeis e da Computação a terem em sua Grade Curricular uma disciplina que foque o ERP. Para isso é que desenvolvemos o material didático. Hoje o aluno sai dessas faculdades não sabendo o que é uma Nota Fiscal Eletrônica, o que o SPED, enfim, como funciona um Sistema Integrado. E isso não evoluiu nos últimos 20 anos. Mesmo com todas as facilidades de hoje em dia, com os alunos tendo seus próprios notebooks ou tablets, pouquíssima coisa é ensinada a eles quanto à potencialidade desses equipamentos. Ficam restritos ao uso mais trivial: comunicar-se entre si, acessar sites, utilizar-se das redes sociais. Nosso material didático, há 20 anos exclusivo, ainda não é usado em larga escala. Temos que formar os candidatos na hora em que eles vão procurar emprego.

 Em um mercado de diretrizes globalizadas e altamente competitivo qual o papel do ERP para uma empresa?

Quando se fala em Gestão está se falando em ERP. O ERP é o processo que automatiza os procedimentos administrativos de uma empresa. Hoje, boa parte das decisões que a alta diretoria das empresas toma é baseada nas sugestões elaboradas pelo ERP. Outro ponto importante é integração entre o ERP de cada empresa e os ERPs de seus clientes, fornecedores, bancos e Governo, enfim com todas as entidades que de alguma forma se relacionam com ela. A Empresa precisará ter um ERP de qualidade para fazer parte desse circuito de informações. Caso contrário estará fora do mercado.

Na sua opinião em que grau de maturação o Brasil se encontra no que diz respeito ao entendimento do conceito de uso do ERP, tanto do usuário final como do profissional responsável pela implementação ou o desenvolvimento da ferramenta?

O Brasil sempre esteve, nas ultimas décadas, bem posicionado neste setor. A automação bancária, os processos do Governo com o Imposto de Renda e agora o SPED, a automação comercial, são casos em que o Brasil serve de modelo para os países estrangeiros. É comum, nos casos de fusões entre empresas brasileiras e de outros países que a escolha do ERP para a nova companhia recaia sobre o ERP aqui desenvolvido.

Se avaliarmos desde o ano de 1969 quando foi fundada a SIGA, é correto dizermos que a essência da necessidade não mudou ,ou seja, o cliente continua precisando de uma solução para automatizar seus processos? O que mudou? Como você enxerga este cenário daqui a 10 anos?

Tivemos picos de mudanças nesses 40 anos. Primeiramente com o Tele Processamento na década de 70. A informação passou a ser em tempo real. Na década de 80 tivemos a revolução dos micro computadores. O downsizing provocou uma forte mudança no desenvolvimento de software. Foi quando a SIGA se transformou em MICROSIGA. Na década de 90 o Windows mudou tudo novamente. Também as redes evoluíram bastante e o armazenamento de dados passou a ser feito exclusivamente em Bancos de Dados padrão SQL. Apesar da Internet ter surgido nessa época, foi somente na década de 2000 que ela passou a fazer parte dos ERPs, integrando-se com os navegadores e ultrapassando as fronteiras da empresa. E agora temos a grande mudança causada pelos dispositivos móveis, de uso pessoal e colocando o usuário mais perto ainda da informação.

Quanto às aplicações em si, as mudanças já não foram tão grandes. Se pegarmos o meu livro ?Introdução à Analise de Sistemas?, escrito em 1969, onde descrevemos o que deve fazer um sistema de gestão, pouca coisa não está contemplada. Por outro lado ainda existe uma diferença grande entre a teoria e a realidade. Se pegarmos o capítulo 8 do livro Um Bate Papo sobre T.I., escrito em 2008, onde colocamos tudo aquilo que gostaríamos de ver implantado na maioria das empresas, concluímos que ainda há muito a fazer. E que sem dúvida será feito. Mas ainda vai demorar. É a complexidade da programação e a rápida evolução da tecnologia que, se de um lado moderniza os processos tornando-os mais rápidos e práticos, por outro, nos obriga a reiniciarmos todo o desenvolvimento a cada nova grande mudança. Por isso o setor depende tanto de mão de obra qualificada.

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