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O que faz projetos SAP travarem na prática e por que o problema raramente é a tecnologia

Empresas enfrentam gargalos operacionais, falhas de governança e dificuldades de sustentação em meio à corrida pela modernização de ERPs

Redação Portal ERP
25 de mai. de 2026
T|Fonte:18px
4 min de leitura
O que faz projetos SAP travarem na prática e por que o problema raramente é a tecnologia

Jorge Monteiro, COO da Essence

A aproximação do fim do suporte principal ao SAP ECC, previsto para 2027, tem acelerado projetos de modernização de ERP em empresas de diferentes setores. No entanto, à medida que as organizações avançam em processos de migração e transformação de sistemas, cresce também um cenário de atrasos, aumento de custos e dificuldades de execução que, na maior parte das vezes, não estão ligados diretamente à tecnologia. Especialistas do setor apontam que os principais gargalos costumam surgir nos bastidores da operação, envolvendo governança, integração entre áreas, sustentação de ambientes críticos e complexidade operacional.

Dados recentes da Gartner mostram a dimensão do desafio enfrentado pelo mercado. A consultoria estima que cerca de 23 mil clientes SAP ECC ainda não licenciaram o SAP S/4HANA, mesmo com o encerramento do suporte se aproximando. A previsão também indica que aproximadamente 17 mil organizações ainda deverão operar ambientes ECC em 2027, refletindo o nível de complexidade que envolve projetos de modernização ERP em larga escala.

Embora o debate sobre transformação digital frequentemente esteja concentrado em inovação e tecnologia, a prática tem mostrado um cenário diferente dentro das empresas. A própria evolução dos projetos de migração para SAP S/4HANA vem ampliando discussões sobre integração entre sistemas, governança operacional e sustentação de ambientes híbridos. Em muitos casos, organizações precisam lidar simultaneamente com aplicações legadas, processos altamente customizados e diferentes áreas operando sob modelos distintos de gestão.

Na prática, a dificuldade de integração entre sistemas se tornou um dos maiores fatores de risco dos projetos. Ambientes corporativos altamente conectados exigem estabilidade operacional constante e qualquer falha de integração pode gerar impactos em cadeia em áreas críticas do negócio. 

Para Jorge Monteiro, COO da Essence, empresa especializada em soluções tecnológicas, um dos principais erros das empresas é tratar projetos SAP exclusivamente sob uma perspectiva tecnológica, sem considerar os impactos operacionais envolvidos na execução. “Grande parte dos projetos não trava porque a tecnologia não funciona. O problema geralmente aparece na execução, principalmente quando não existe governança clara, alinhamento entre áreas e capacidade operacional para sustentar ambientes críticos durante a transformação”, afirma.

Segundo o executivo, muitas empresas iniciam projetos de modernização sem um mapeamento adequado das integrações existentes e sem uma estratégia clara de sustentação operacional, o que aumenta significativamente o risco de falhas ao longo do processo.

No Brasil, a pressão pelas mudanças também vem sendo impulsionada por fatores regulatórios, exigências de compliance, reforma tributária e necessidade de ganho operacional. Nesse sentido, as empresas têm acelerado investimentos em revisão de arquitetura, integração de sistemas e atualização de ambientes SAP ao mesmo tempo em que precisam manter operações críticas funcionando de forma contínua.

Além da complexidade técnica, o mercado também enfrenta dificuldades crescentes para escalar projetos de transformação sem comprometer prazos, orçamento e estabilidade operacional. Projeções recentes da Gartner indicam que mais de 70% dos projetos ERP recentes não alcançarão plenamente os objetivos de negócio originalmente previstos, enquanto até 25% podem apresentar falhas críticas ao longo da execução. O cenário reforça um movimento já percebido por empresas: a dificuldade atual não está apenas em implementar tecnologia, mas em conseguir sustentar operações complexas enquanto a transformação acontece.

“As empresas estão percebendo que a transformação digital não é apenas trocar tecnologia. O grande desafio está em conseguir evoluir sistemas complexos mantendo a operação funcionando de forma estável, segura e sustentável ao longo do tempo”, completa Monteiro.

A avaliação do mercado é que a pressão sobre projetos SAP deve aumentar nos próximos meses, especialmente conforme o prazo do ECC se aproxima. As empresas que ainda não estruturaram estratégias consistentes de governança, integração e sustentação operacional tendem a enfrentar mais dificuldades para executar transformações em larga escala dentro dos prazos previstos, ampliando riscos relacionados a custo, performance e continuidade operacional. O projeto SAP ECC termina em 2027, com possibilidade de extensão até 2030 mediante custos adicionais e requisitos específicos. 

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