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Portal ERP entrevista: Evan Goldberg, fundador e EVP da NetSuite, e Gustavo Moussalli, VP Sênior da Oracle NetSuite LatAm

Durante o SuiteConnect São Paulo 2026, Evan Goldberg e Gustavo Moussalli detalham como a nova geração da plataforma aposta em inteligência artificial, agentes autônomos e workflows conversacionais para redefinir o papel do ERP nas empresas

Camila Quirino
27 de mai. de 2026
T|Fonte:18px
7 min de leitura
Portal ERP entrevista: Evan Goldberg, fundador e EVP da NetSuite, e Gustavo Moussalli, VP Sênior da Oracle NetSuite LatAm

Foto: Camila Quirino/Portal ERP

Durante o SuiteConnect São Paulo 2026, a Oracle NetSuite apresentou o NetSuite Next, nova geração da plataforma desenvolvida com inteligência artificial no centro da experiência do usuário. A proposta da companhia é transformar o ERP em um sistema mais autônomo, capaz de executar tarefas, gerar insights e apoiar decisões de forma contextual e conversacional.

A empresa também apresentou novos recursos baseados em IA agêntica, automação de workflows e inteligência conversacional, reforçando uma estratégia voltada à redução de tarefas operacionais e ao aumento da capacidade analítica das empresas.

Em entrevista exclusiva ao Portal ERP, Evan Goldberg e Gustavo Moussalli falaram sobre como enxergam a evolução dos sistemas de gestão, o impacto da IA na operação das empresas, os desafios de adoção na América Latina e o avanço de ERPs mais inteligentes e orientados à execução. Confira:

Portal ERP: Quando a NetSuite nasceu, a nuvem representava uma mudança estrutural no software empresarial. A IA é a próxima grande transformação?

Evan Goldberg:
Quando os sistemas empresariais migraram para a nuvem, eles ficaram mais fáceis de operar porque as empresas deixaram de se preocupar com infraestrutura, sistemas operacionais e bancos de dados. Também ficou mais simples conectar usuários globalmente.

Foi uma grande mudança. Mas acredito que a inteligência artificial provocará uma transformação ainda mais profunda.

A nuvem retirou das empresas a responsabilidade de operar software. A IA vai além disso: ela pode efetivamente executar partes do sistema por você, em segundo plano.

Em vez de realizar tarefas manuais como contabilidade, acompanhamento de entregas ou verificações operacionais dentro do ERP, a IA passa a assumir uma parcela crescente dessas atividades.

Nossa visão é que o NetSuite opere cada vez mais em background. O sistema fará muito mais de forma autônoma, trazendo à superfície apenas aquilo que realmente exige atenção ou ação do usuário.

Isso representa uma mudança ainda maior, porque permite que as empresas foquem menos na operação do sistema e mais no próprio negócio.

Portal ERP: O NetSuite Next introduz inteligência conversacional e workflows com agentes de IA. O que muda na interação entre usuário e ERP?

Evan Goldberg:
Os seres humanos evoluíram para se comunicar por linguagem. Nós não evoluímos para navegar menus, clicar em botões ou fazer drag and drop.

Por isso, acredito que a linguagem natural é a forma como as pessoas devem interagir com sistemas.

As plataformas empresariais estão se tornando cada vez mais conversacionais. Usuários poderão conversar com o sistema no próprio idioma, fazer perguntas e receber orientação diretamente no contexto.

Isso torna o ERP muito mais acessível.

Tradicionalmente, software exige treinamento. Mas, se você pode simplesmente perguntar ao sistema como fazer algo ou o que precisa saber, o aprendizado passa a estar embutido na própria experiência.

É assim que software empresarial deveria funcionar.

Portal ERP: Durante anos, o ERP foi visto principalmente como um system of record. Agora entramos em uma lógica de system of action. Como vocês enxergam essa transição?

Evan Goldberg:
Por muito tempo, os ERPs serviram essencialmente para registrar informações.

Você inseria dados, gerava relatórios, interpretava essas informações e então tomava decisões.

Isso muda com a IA.

Empreendedores e líderes continuam responsáveis pela decisão final — a IA não substitui estratégia nem liderança.

Mas ela elimina muitas tarefas operacionais que antes consumiam tempo e atenção.

Mais importante ainda: ela ajuda a melhorar decisões por meio de insights, recomendações e análise contextual.

E vai além do aconselhamento. A IA também pode executar decisões.

Se uma empresa decide, por exemplo, que todo novo pedido precisa registrar determinada informação, a IA pode ajustar workflows e lógica de sistema para garantir isso automaticamente.

É aí que o ERP deixa de ser apenas um sistema de registro e passa a atuar com automação, ação e agilidade.

As empresas querem reagir rapidamente quando algo muda. A IA torna isso possível.

Portal ERP: Como essa visão se aplica à América Latina e ao Brasil, considerando requisitos locais e complexidade regulatória?

Gustavo Moussalli:
O Next leva em consideração todas as organizações. Portanto, quer você use o Score Apple, o Free Agents ou outras ferramentas que estarão disponíveis no Next, ele sempre estará olhando para o contexto completo da empresa. E contexto significa não apenas as funções centrais, mas também as funções localizadas e as customizações que foram feitas. Levando tudo isso em conta, ele raciocina e traz insights e possíveis alternativas para os obstáculos que encontra. Da mesma forma que funciona globalmente, funcionará localmente.

Acho que o grande desafio são as pessoas e a cultura, certo? Quando disponibilizamos uma ferramenta de IA, seja o ChatGPT ou baseada em nuvem, as pessoas primeiro começam a usá-la da mesma forma que usavam o Google antes. Depois, começam a entender que esse não é o real propósito da ferramenta. E então começam a fazer o upload de planilhas, adicionar dados e pedir insights.

Acho que é a mesma coisa com o ERP. As pessoas começam com um uso mais leve. E quando falamos de um uso mais leve, elas usam o MCP Connector, onde conectam a Nuvem e o ChatGPT para fazer perguntas como a receita comparada com a receita do ano anterior, ou as despesas comparadas com as despesas do ano anterior. Depois, começam a perguntar o porquê: "Por que minhas despesas estão mais altas do que as despesas do ano passado? O que aconteceu para que essas despesas aumentassem?". E então o sistema raciocina por você. Ele começa a fazer o raciocínio por você e te traz os insights e as respostas. É aí que ele começa a agregar valor.

Acho que haverá uma escada de adoção. Começa mais como uma ferramenta de relatórios (reporting), digamos assim, para simplificar bastante. Depois, a pessoa começa a descobrir o mundo que existe.

Portal ERP: Como equilibrar governança, segurança e integração com ferramentas externas?

Gustavo Moussalli:
Quando o NetSuite usa essas ferramentas externas, ele adota o Model Context Protocol (Protocolo de Contexto de Modelo), como o Herman explicou. É um mapeamento das funções de IA para as APIs ou informações no sistema. E tudo isso segue a governança do NetSuite. Portanto, todas as funções e papéis (roles) são gerenciados. Você precisa de consentimento ao instalar esse plugin, e precisa habilitá-lo para aquele papel ou função específica.

Se eu for um analista de contas a pagar, quando estiver trabalhando no meu fechamento ou no ChatGPT, só terei acesso às informações de contas a pagar. Se eu for um agente de contas a receber, um controller ou um CEO, minha capacidade se expande em termos do que posso ver e acessar. Portanto, funciona da mesma forma que o ERP, com papéis e funções dentro do sistema e limites sobre o que pode ser visualizado.

E essa informação não é exposta externamente. Nada sai do seu ambiente; em vez disso, as ferramentas operam por cima dos seus dados privados.

Portal ERP: Então é como se ele se alimentasse sozinho, usando os seus dados e as suas planilhas?

Gustavo Moussalli:

Ele se alimenta e permanece dentro do contexto, dentro do seu ambiente. Nunca sai dali.

Portal ERP: E olhando para frente, como vocês imaginam o futuro do ERP?

Evan Goldberg:
Esses sistemas se tornarão cada vez mais autônomos e automatizados.

Eles farão muito mais coisas nos bastidores.

Em alguns momentos, o usuário trabalhará diretamente no NetSuite. Em outros, poderá interagir com assistentes ou interfaces conversacionais fora do ERP.

Isso dependerá do contexto e da preferência do usuário.

Mas a direção é clara: os sistemas vão remover fricção operacional, entregar insights no momento certo e permitir que as pessoas se concentrem mais no negócio.

Nesse sentido, o ERP tende a funcionar como um assistente empresarial inteligente.

É quase como dar a cada colaborador acesso a um excelente chief of staff.

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Camila Quirino

Jornalista · Grupo Portal ERP

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