Portal ERP
PGM | Artigos | TOPO

Do Excel ao ERP: como conduzir essa jornada? 

Fernando Cunha
18 de jun. de 2026
T|Fonte:18px
4 min de leitura
Do Excel ao ERP: como conduzir essa jornada? 

O cenário é clássico e se repete em empresas de diferentes portes: a organização investe na implementação de um sistema de ponta, mas, no dia a dia, a operação continua rodando em planilhas. Os dados são extraídos do sistema, tratados manualmente e consolidados em arquivos locais espalhados na organização. Na prática, cria-se o fenômeno do ERP como um "Excel de luxo": uma ferramenta subutilizada que custa caro, enquanto a inteligência do negócio continua dispersa em abas e fórmulas. 

O Excel cumpriu um papel importante na evolução de muitas organizações, especialmente em fases iniciais. Contudo, à medida que a organização cresce, o mercado passa a exigir sofisticação, compliance, performance e segurança. Desta forma, manter a gestão ancorada em diversas planilhas, embora possa parecer confortável, torna-se um risco estratégico para a sobrevivência do negócio. 

Isso porque a empresa deixa de ter um pilar único de "fonte da verdade", o que cria silos de informação. Quando cada área possui um dado diferente, abre-se margem para erros e falhas nos processos que podem comprometer o desempenho da organização. Embora esses exemplos citados sejam amplamente conhecidos pelo mercado, o que impede a empresa de iniciar a jornada para o ERP? A resposta é simples: a cultura. 

Uma boa parte das companhias se trata de negócios que surgiram em contextos diferentes e cujos métodos criados, na época, continuam funcionando. Isso gera a falsa ideia de que, pelo fato de as pessoas estarem acostumadas, o processo é confiável. Essa resistência também está atrelada ao pensamento equivocado de que a tecnologia irá substituir o ser humano, causando desemprego, entre tantos outros discursos alarmantes existentes. 

Deste modo, a jornada para o ERP começa muito antes da implantação do sistema; ela inicia na mudança do mindset. Ou seja, é necessário analisar: quanto tempo levo para tomar uma decisão? Com base no prazo, é importante observar quais são as razões para a demora, desde a falta de padronização até as exceções que comprometem a operação. É a partir dessa análise prévia que se torna possível realizar uma virada de chave e entender, de fato, como o sistema de gestão irá apoiar a empresa. 

No entanto, sabemos que ao falar sobre a adesão de uma nova ferramenta, outro receio surge: como mensurar o ROI? Afinal, estamos falando de um projeto que tem um custo e, por isso, é natural que líderes e gestores questionem se o valor investido retornará da forma esperada. A resposta está nos resultados práticos, os quais a partir do momento em que as informações da companhia passam a ser centralizadas em um único local, ganhos como agilidade, redução no volume de erros e governança tornam-se intrínsecos.  

Na prática, significa que a gestão deixa de olhar para o negócio pelo retrovisor e passa a ter visibilidade pelo painel e para-brisa. Ou seja, a partir de uma análise diária, é possível aumentar a eficiência dos processos, exercendo uma gestão mais próxima das áreas de negócio. Isso ajuda em tomadas de decisões rápidas e em total concordância com a realidade atual da empresa. 

Embora apresente vantagens notáveis, essa mudança não acontece do dia para a noite, até porque se trata de uma transformação que impacta a corporação como um todo. Deste modo, ter o apoio de uma consultoria especializada é fundamental para mostrar como uma implementação bem-feita traz benefícios significativos para a rotina empresarial. Isso ocorre porque o time de especialistas identifica as ineficiências, faz uma análise detalhada das dores e estrutura quais são as prioridades dos desafios que precisam ser trabalhados. 

É importante enfatizar que a tecnologia é habilitadora. Em contrapartida, para algumas empresas, a tecnologia é o próprio negócio. Todavia, uma coisa não muda: o ERP é o ponto transformador. Diante disso, durante a sua implementação, é natural que aconteça a chamada curva “J”, na qual o cenário primeiro “piora” antes de melhorar. Entretanto, é necessária a conscientização de que se trata de um processo de transição e, com o apoio certo, esses impactos são mitigados para garantir uma transição suave. 

Não estou dizendo aqui que o Excel é um vilão. Para empresas que estão dando início ao processo de evolução de maturidade, ele continua sendo uma boa ferramenta. Porém, é possível evoluir ainda mais e obter ganhos com compliance, governança e segurança que só um sistema de gestão integrado pode proporcionar. Para quem deseja ter na organização todo o potencial da inteligência artificial, ter uma fonte única da verdade, com dados em tempo real e a centralização das operações é um passo fundamental para alcançar esse objetivo. 

Compartilhar:
Fernando Cunha

Diretor Executivo · Numen

LinkedIn
PGM | Artigos | Rodapé